A verdade é que, a cada lançamento, a cada nova colecção, a cada edição limitada, acabamos por comprar sombras que, ou têm algo de muito único, totalmente diferente de tudo o que já temos - o que se vai tornando cada vez mais difícil - ou quando damos por isso, temos a mesma sombra em três ou quatro paletas, sem nos termos apercebido disso na loja, quando o entusiasmo e a excitação da compra nos tolda a visão, e o juízo.
Não tenho nada contra grandes ajuntamentos de maquilhagem, seja de que tipo for. Eu própria tenho um arsenal bastante potente neste campo cá em casa mas cheguei a um ponto em que prefiro ir usando o que tenho, sem me deixar levar pelas novidades. Sinceramente, há muito que as novidades me deixaram de parecer tão novas assim e, a partir do momento em que temos um estilo mais ou menos definido, a nossa escolha acaba por recair, quase sempre, nos mesmos tons, mesmos acabamentos, com um apontamento diferente aqui e além, claro, porque a monotonia na maquilhagem é do pior que pode haver.
Várias amigas minhas que, apesar de se maquilharem diariamente, não têm, nem de perto, nem de longe, esta minha apetência para se dedicarem mais arduamente a tudo o que se relaciona com a área, acabam por me mostrar que, para a mais comum das mortais, com uma ou duas paletas (ou vá, uma série de sombras unitárias agrupadas numa paleta) com as cores mais usadas e usáveis, umas mate, outras acetinadas e, umas poucas, brilhantes, servem perfeitamente para brincar um pouco e criar um sem número de looks, adaptáveis às mais diversas situações.
Tenho, friamente, de concordar com elas. Por mim falo quando, sendo honesta, consigo identificar muito bem quais as paletas a que mais recorro e, em cada uma delas, quais as cores que mais vezes foram visitadas pelos meus pincéis. É verdade, verdadinha.
À data de hoje, e com uma panóplia de sombras como opção diária, se começasse do zero posso afirmar que o faria em duas frentes: escolheria uma ou duas paletas de sombras de tons neutros, que me agradassem no seu conjunto e não apenas por uma ou duas cores, esquecendo as outras oito ou dez que as acompanham - provavelmente a Naked 1 a 2 (curiosamente esta ainda não a tenho mas sei que continua a ser uma das melhores neste campo) - que combinaria com várias sombras unitárias - Mac ou Inglot seriam as marcas perfeitas para este efeito - colocadas numa paleta que serviria para completar e complementar as sombras das paletas selecionadas. Aí poderia optar por cores mais arrojadas, mas em menor número, acabamentos únicos e diferentes e, claro, construindo-a aos poucos, sem pressas, de forma harmoniosa mas ponderada.
Claro que a maquilhagem que tenho não foi comprada por necessidade, apenas por gosto e vontade de experimentar coisas diferentes mas, não me perguntem porquê, começo a notar uma certa viragem nos meus interesses neste campo. Sinto-me cada vez mais atraída para o cuidado e tratamento do rosto (a base para que uma maquilhagem fique bem) e menos entusiasmada pelos produtos de cor. A pele está a tornar-se o meu foco de atenção e acho que se vai manter assim por muito tempo, palpita-me.


